ELEVVA Gestão Inteligente · Estudo setorial · v2.1 — 13/07/2026

O CDI de hoje é uma fotografia.
A PCH é o filme inteiro.

Rentabilidade de uma Pequena Central Hidrelétrica com o custo real de obra (R$ 12 mi/MW) contra o CDI — comparados na única régua que vale para um ativo de 30 anos: o histórico de duas décadas e a trajetória de juros que o próprio mercado projeta.

8,0%
TIR real a.a. da PCH — travada por 30 anos, indexada ao IPCA (CAPEX real R$ 12 mi/MW)
6,5%
CDI real líquido HOJE — pico do maior ciclo de juros em duas décadas
3,0%
CDI real líquido MÉDIO em 20 anos — negativo em 2020 e 2021
4,1×
Quanto a PCH entrega a mais que o CDI histórico em 30 anos (R$ 10,1 mi vs R$ 2,4 mi)
Base: Selic 14,25% · CDI 14,15% · IPCA projetado 5,16% (Focus 13/07/2026) · IR 15% aplicado à renda fixa tributada
01 — A FOTOGRAFIA

O que cada real rende hoje, na mesma base

Todos os retornos abaixo estão em termos reais (acima da inflação) e líquidos de imposto. Lida isoladamente, esta tabela dá razão parcial aos céticos: com o custo real de obra, o prêmio da PCH sobre o CDB de hoje é de ~1,5 ponto. O problema é que esta tabela compara um contrato de 30 anos com a taxa de um único ano.

AplicaçãoNominal brutoIRReal líquido a.a.Risco
Poupança6,17%isento1,0%Muito baixo
Tesouro Selic (LFT)14,25%15%6,6%Muito baixo
CDB 100% do CDI14,15%15%6,5%Baixo (FGC)
Tesouro IPCA+ (NTN-B)≈12,5%15%5,2%Baixo-Médio
Debênture incentivada de PCH≈13,1%isento7,5%Médio
PCH — participação direta≈13,6%isento*8,0%Alto

* Tributação na SPE (Lucro Presumido), já embutida no fluxo; distribuição isenta ao investidor. TIR calculada sobre o CAPEX real de R$ 12 mi/MW.

02 — O FILME (2006–2025)

O CDI real dos últimos 20 anos, ano a ano

Quem investe por 30 anos não recebe o CDI de 2026 — recebe a média de todos os ciclos. As barras mostram o retorno real do CDI, líquido de IR, descontada a inflação oficial. A linha verde é o que a PCH trava por contrato.

CDI real líquido por ano vs. TIR real da PCH

Fontes: B3/Cetip (CDI) e IBGE (IPCA), séries anuais fechadas · IR de 15% (prazo > 720 dias)
A régua verdadeira Média geométrica de 20 anos: 3,0% a.a. reais líquidos. O CDI só passou de 6% em 3 anos — sempre em picos de ciclo como o atual.
2020 e 2021 Quem estava no CDI perdeu da inflação dois anos seguidos: −2,1% e −5,7% reais. A PCH, indexada ao IPCA, atravessou o período protegida.
03 — O FUTURO QUE O MERCADO JÁ PRECIFICA

A Selic está no pico — e o próprio mercado projeta a queda

Não é opinião nossa: são as medianas de mais de 100 instituições no Boletim Focus do Banco Central (13/07/2026). O ciclo de cortes já começou em junho. Quem fica no CDI está comprado justamente na queda dos juros.

Selic realizada (fim de ano) e projeção Focus até 2029

Realizado: Banco Central · Projeções: medianas do Boletim Focus de 13/07/2026
O que a PCH faz de diferente Trava ~8% reais por 30 anos, com receita corrigida pelo IPCA. O CDI não trava nada.
04 — O HORIZONTE DO ATIVO

R$ 1 milhão por 30 anos, em poder de compra de hoje

Retornos reais — a inflação já foi descontada de todos os cenários. No horizonte da outorga, a diferença deixa de ser de percentual e vira diferença de múltiplo.

Evolução de R$ 1 milhão (R$ milhões de hoje)

PCH: 8% real (CAPEX R$ 12 mi/MW) · CDI histórico: 3,0% · CDI projetado 2029+: 4,7% · CDI de hoje mantido: 6,5%
Ano 30 PCH: R$ 10,06 mi
CDI de hoje p/ sempre: R$ 6,67 mi
CDI projetado 2029+: R$ 4,02 mi
CDI média histórica: R$ 2,43 mi
05 — PERGUNTAS FREQUENTES

As dúvidas mais comuns, respondidas com os dados do estudo

Perguntas legítimas merecem respostas diretas. Cada uma aponta para a seção do estudo com o cálculo completo.

O CDI está em 14% ao ano e a TIR da PCH é 8%. Como comparar?
Esses dois números não estão na mesma moeda. O 14,15% do CDI é bruto e nominal: descontando 15% de IR sobra 12,0%, e descontando a inflação de 5,16% sobra 6,5% real. Já os 8% da PCH já são reais e isentos — retorno por cima da inflação. Na mesma régua, a comparação de hoje é 8,0% × 6,5%. → Seção 01 — tabela comparativa na mesma base
Os 8% da PCH já incluem a correção pela inflação?
Sim — o IPCA é o reajuste. Os contratos de energia no mercado livre (ACL) são corrigidos pelo IPCA anualmente, e é essa correção que faz os 8% serem um retorno real: na prática, a PCH rende aproximadamente IPCA + 8%. Em número nominal, com o IPCA de hoje, isso equivale a ~13,6% ao ano, isento de IR na distribuição ao sócio. → Seção 01 — coluna "Nominal bruto" do comparativo
E se os juros continuarem altos por muito tempo?
O estudo testou até o cenário mais generoso possível para o CDI: o juro real de hoje mantido por 30 anos seguidos — algo que o Brasil nunca fez e que nem o Boletim Focus projeta para os próximos 3 anos. Mesmo nesse cenário, R$ 1 milhão no CDI viraria R$ 6,7 milhões, contra R$ 10,1 milhões na PCH. Em qualquer cenário realista, a diferença sobe para 2,5 a 4 vezes. → Seção 04 — simulação de 30 anos, linha azul-clara
A obra encareceu. Os 8% já consideram o custo real?
Sim. Este estudo usa o custo real de construção — R$ 12 milhões por MW — e não a faixa de referência antiga do setor. Foi exatamente essa atualização que reduziu a TIR estimada de ~10% para ~8%: o número já carrega o encarecimento. A sensibilidade é conhecida: cada R$ 1 milhão/MW a mais de obra custa cerca de 1 ponto de TIR, o que torna a disciplina de orçamento e prazo a variável nº 1 do retorno daqui em diante. → Seção 01 — quadro de sensibilidade ao CAPEX
E o risco de anos secos (hidrológico)?
É um risco real e está precificado — é parte do motivo de a PCH pagar prêmio sobre a renda fixa. O GSF machuca em anos secos, mas o ativo atravessa 30 anos de ciclos hidrológicos. E vale a simetria: a renda fixa também tem os seus "anos secos" — em 2020 e 2021, quem estava no CDI perdeu da inflação dois anos seguidos (−2,1% e −5,7% reais), sem nenhuma estiagem. → Seção 02 — barras vermelhas de 2020 e 2021
Os 8% são garantidos?
Não — e o estudo diz isso com todas as letras. É uma estimativa, com faixa de 6,5% a 10% conforme obra, hidrologia e preço de energia. O que é contratual: a correção da receita pelo IPCA nos contratos do ACL e a outorga de 30–35 anos. A transparência corta para os dois lados: quando o custo de obra subiu, a TIR estimada foi recalculada para baixo e publicada assim. → Seção 01 — nota de método e sensibilidade
Quando o investimento retorna ao bolso do sócio?
O perfil é de construção de patrimônio, não de renda imediata: payback estimado de ~11 anos após a entrada em operação e, depois, cerca de duas décadas de distribuição de caixa, corrigida pela inflação e isenta de IR na pessoa física. No CDI, para gerar a mesma renda por 20 anos, o investidor consome o principal. Para quem precisa de liquidez antes disso, a alternativa de exposição ao setor é a debênture incentivada de PCH (Lei 12.431): ~7,5% reais, isenta e negociável no mercado secundário. → Seções 01 e 05 do estudo em PDF
Vender a participação agora e migrar para o CDI faz sentido?
É um direito de cada sócio, mas o momento joga contra o vendedor: qualquer comprador precifica a participação descontando o fluxo de 30 anos pela taxa de juros de hoje — que está no pico. Quando a Selic cair (movimento que o mercado já projeta), o mesmo ativo passa a valer mais. Vender agora é entregar essa reprecificação de graça ao comprador; e apostar que os juros não cairão é apostar contra o próprio Boletim Focus. → Seção 03 — trajetória da Selic projetada
Por que não esperar a Selic cair para decidir?
Porque a decisão em pauta não é "entrar ou não entrar" — o ativo já pertence aos sócios. A decisão é manter ou sair. E esperar já é manter: cada trimestre com a obra avançando e a Selic caindo, a participação vale mais. A única decisão com custo real hoje é vender no pico do ciclo de juros. → Seções 03 e 04

A decisão real dos sócios

Com o custo real de construção, a PCH entrega TIR real de ~8% a.a. — menos do que se estimava, e este estudo mostra o número sem maquiagem. A comparação com o CDI só desfavorece a PCH quando feita contra a taxa de um único momento: o pico do maior ciclo de juros em duas décadas.

Contra a régua correta — média real de 20 anos (3,0% a.a.) e a trajetória de queda que o próprio mercado projeta — a PCH mantém prêmio de 3 a 5 pontos percentuais ao ano, que em 30 anos separa multiplicar o capital por 10 de multiplicá-lo por 2,4.

A pergunta não é "PCH ou CDI em 2026?". É: travar 8% reais por 30 anos com correção pela inflação — ou apostar que o Brasil sustentará o maior juro real do mundo por três décadas, aposta que nem o Boletim Focus faz para os próximos três anos. O prêmio remunera riscos reais — hidrologia (GSF), obra, preço de energia, regulação e iliquidez — e vender a participação no pico do ciclo de juros é justamente o pior momento: o comprador desconta o fluxo pela taxa alta de hoje.