Rentabilidade de uma Pequena Central Hidrelétrica com o custo real de obra (R$ 12 mi/MW) contra o CDI — comparados na única régua que vale para um ativo de 30 anos: o histórico de duas décadas e a trajetória de juros que o próprio mercado projeta.
Todos os retornos abaixo estão em termos reais (acima da inflação) e líquidos de imposto. Lida isoladamente, esta tabela dá razão parcial aos céticos: com o custo real de obra, o prêmio da PCH sobre o CDB de hoje é de ~1,5 ponto. O problema é que esta tabela compara um contrato de 30 anos com a taxa de um único ano.
| Aplicação | Nominal bruto | IR | Real líquido a.a. | Risco |
|---|---|---|---|---|
| Poupança | 6,17% | isento | 1,0% | Muito baixo |
| Tesouro Selic (LFT) | 14,25% | 15% | 6,6% | Muito baixo |
| CDB 100% do CDI | 14,15% | 15% | 6,5% | Baixo (FGC) |
| Tesouro IPCA+ (NTN-B) | ≈12,5% | 15% | 5,2% | Baixo-Médio |
| Debênture incentivada de PCH | ≈13,1% | isento | 7,5% | Médio |
| PCH — participação direta | ≈13,6% | isento* | 8,0% | Alto |
* Tributação na SPE (Lucro Presumido), já embutida no fluxo; distribuição isenta ao investidor. TIR calculada sobre o CAPEX real de R$ 12 mi/MW.
Quem investe por 30 anos não recebe o CDI de 2026 — recebe a média de todos os ciclos. As barras mostram o retorno real do CDI, líquido de IR, descontada a inflação oficial. A linha verde é o que a PCH trava por contrato.
Não é opinião nossa: são as medianas de mais de 100 instituições no Boletim Focus do Banco Central (13/07/2026). O ciclo de cortes já começou em junho. Quem fica no CDI está comprado justamente na queda dos juros.
Retornos reais — a inflação já foi descontada de todos os cenários. No horizonte da outorga, a diferença deixa de ser de percentual e vira diferença de múltiplo.
Perguntas legítimas merecem respostas diretas. Cada uma aponta para a seção do estudo com o cálculo completo.
Com o custo real de construção, a PCH entrega TIR real de ~8% a.a. — menos do que se estimava, e este estudo mostra o número sem maquiagem. A comparação com o CDI só desfavorece a PCH quando feita contra a taxa de um único momento: o pico do maior ciclo de juros em duas décadas.
Contra a régua correta — média real de 20 anos (3,0% a.a.) e a trajetória de queda que o próprio mercado projeta — a PCH mantém prêmio de 3 a 5 pontos percentuais ao ano, que em 30 anos separa multiplicar o capital por 10 de multiplicá-lo por 2,4.
A pergunta não é "PCH ou CDI em 2026?". É: travar 8% reais por 30 anos com correção pela inflação — ou apostar que o Brasil sustentará o maior juro real do mundo por três décadas, aposta que nem o Boletim Focus faz para os próximos três anos. O prêmio remunera riscos reais — hidrologia (GSF), obra, preço de energia, regulação e iliquidez — e vender a participação no pico do ciclo de juros é justamente o pior momento: o comprador desconta o fluxo pela taxa alta de hoje.